"Voçe deve estar curioso de saber,penso eu, como sera um homem q não ama os homens. pois bem, sou eu, e amo-os taopouco que vou matar meia dúzia.voçe talvez pergunte, porque so meia duzia? porque o meu revolver so tem seis cartuchos.é uma monstrousidade n é? e além disso um acto verdadeiramente impolítico. mas eu digo-lhe que não posso amá-los.(...)"
O Muro, por Jean Paul-Satre
Farewell Ballad
Photo by Diane Yee
Segunda-feira, 21 de Maio de 2012
Quinta-feira, 17 de Maio de 2012
Obama, O traidor
Recomenda-se a leitura da excelente opinião sobre a governação de Barack Obama, do blogue Esquerda Republicana. Fica Abaixo o link:
http://esquerda-republicana.blogspot.pt/2012/05/obama-o-traidor.html
http://esquerda-republicana.blogspot.pt/2012/05/obama-o-traidor.html
Domingo, 8 de Abril de 2012
Octopus
Queria deixar a ligação para uma entrada do blogue Octopus, na minha opinião muito bem escrito.
Esta em particular é sobre a capitalização da imagem da mulher, fica o link:
http://octopedia.blogspot.pt/2012/04/revolucao-sexual-feminina-silenciada.html
Esta em particular é sobre a capitalização da imagem da mulher, fica o link:
http://octopedia.blogspot.pt/2012/04/revolucao-sexual-feminina-silenciada.html
Quarta-feira, 28 de Março de 2012
At Night
Ela não padece desse mal que se tornou mal de mim. Ela é incapaz de ser indiferente. A indiferênca, seja com o que for, repugna-a.O quarto tem de ser personalizado, belo. Nunca funcional, mas lindíssimo, de facto é-o. O candeeiro, as almofadas castanhas e vermelhas, o tecido pendurado por cima da cama, tudo me remete para algo oriental, talvez por me lembrar de algo exótico, fora do meu mundo. Ela é assim, ateniense, não espartana, italiana, não inglesa. A indiferença, o utilitarismo e a sobriedade de palavras são antíteses do seu espírito, e por outro lado, marcam o meu. Porque então, esta tão estranha união? Não acredito no destino, acaso então. Mas se é acaso, o que vale? Não tem de valer, e poderia dissolver-se no tempo como tantas outras relações, mas esta é diferente. O tempo já chegou, já partiu, agora é uma espécie de limbo em que nada parece definitivo. O teste será o de uma viagem última, não o do tempo. Vejo-a, deitada a poucos passos de mim, tranquila como apenas durante o sono está. E até mesmo aí, é um sono mais agitado do que o meu. Bela e graciosa, como eu sonhava.
Sábado, 10 de Março de 2012
Terça-feira, 6 de Março de 2012
Kony 2012
Joseph Kony, Procurem No google, vejam o video acima, ou deiam uma vista de olhos no site como link Abaixo, ajudem!(Que em nada custa)
http://www.invisiblechildren.com/homepage
Não Costumo advogar por campanhas como esta, mas Kony2012 é a excepção, em parte porque me parece ter boas hipoteses de funcionar, e já deu provas disso,por isso, excepcionalmente, divulgo e apoiarei financeiramente esta campanha.
http://www.invisiblechildren.com/homepage
Não Costumo advogar por campanhas como esta, mas Kony2012 é a excepção, em parte porque me parece ter boas hipoteses de funcionar, e já deu provas disso,por isso, excepcionalmente, divulgo e apoiarei financeiramente esta campanha.
Domingo, 12 de Fevereiro de 2012
The Great Dictator
Aprendemos a conhecer Charlie Chaplin na comédia, nempre em silêncio de palavras. Falou uma vez, no seu filme The Great Dictator, e nessa ocasião ouvimos um pequeno discurso sobre os pensamentos deste homem em relação aos regentes deste nosso mundo. Não é o mais eloquente, mas na sua simplicidade deixa-nos com o essencial de uma critica á ganância.
Terça-feira, 31 de Janeiro de 2012
Ricardo Araújo Pereira- A política morreu
Este post, que foi "roubado" do blog Entre as Brumas da Memória, pareceu-me ter relevância não por swer uma opinião referente á política em portugal (desculpem mas este país dificilmente merece letra maiúscula), mas por vir de um humorista, que mostra-se também um homem com uma noção, aqui apresentada de forma ligeiramente cómica, do que são as políticas portuguesas.
No passado dia 29/12/2011, Ricardo Araújo Pereira fez parte do terceiro painel do ciclo «Desconferências», subordinado ao tema «O Fim da Crise», no Teatro S. Luiz, em Lisboa. Texto da sua intervenção (ou parte dele).
A política morreu porquê?
Foto da autoria de Miguel A. Lopes
Várias hipóteses:1. A primeira é a de que morreu porque deixou de ser necessária. O sonho dos nossos antepassados cumpriu-se. Os portugueses vivem hoje num país nórdico: pagamos impostos como no Norte da Europa e temos a qualidade de vida do Norte de África.
Somos um País onde nem Américo Amorim se acha rico. E porquê? Porque somos dez milhões de milionários. Temos a vida que os milionários têm. Cada um de nós tem um banco e uma ilha, é certo que é o mesmo banco e a mesma ilha, que é o BPN e a Madeira, mas todos os contribuintes são proprietários de um bocadinho.
2. A outra hipótese é: não há política porque só há economia. E enfim, a teoria medieval concebia apenas duas formas de governo: na primeira, o fluxo do poder era ascendente. O poder emanava do povo e o povo delegava nos seus representantes. Na outra forma de governo, o poder fazia o percurso inverso: emanava do príncipe e o príncipe delegava nas outras figuras do Estado. O nosso modelo é um híbrido, no sentido em que do povo emana o poder para eleger os representantes na figura de pessoas como Miguel Relvas e o seu vice-primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho. E há depois o príncipe, que é a troika, do qual também emana poder. E a troika delegou o poder nas mesmas pessoas. Portanto, há um engarrafamento de poder nesta gente e, como é evidente, o poder que vem de cima é mais forte do que aquele que nós mandámos para lá e é isso. O poder deles tem mais força. E o nosso... voltou para trás.
Há problemas no facto de a política ter morrido:
1. O primeiro é: a política percebe-se. Já a economia é muito mais difícil de compreender. Eles simplificam, isso é verdade. Por exemplo, primeiro os mercados começaram a dizer que nós éramos PIGS: Portugal, Irlanda, Grécia, Espanha. PIGS, porcos! Depois disseram: Portugal é lixo. É uma metáfora muito repetitiva, mas é clara. Facilita a compreensão. Reparem, eu não sei ao certo o que é o "subprime", nem o que são "hedge funds", mas quando uma pessoa me diz: "tu és lixo", eu percebo do que está a falar. Eu sei exactamente. Claro que é triste esta liberdade vocabular não ser permitida a quem está em baixo: a gente vê uma manchete a dizer: "mercados consideram que Portugal é lixo", mas é impensável, na página seguinte, ter: "Portugal vai tentar renegociar a dívida com os chulos". Isso não nos é permitido. Eles têm o capital financeiro e o capital semântico, tudo o que é capital, açambarcam, isto torna a vida difícil.
Mas também há vantagens no facto da política ter morrido:
1. Saiu agora um estudo que diz: "Portugal é uma democracia com falhas". Em primeiro lugar, é importante elogiar um grupo de cientistas políticos que é tão eficaz que consegue olhar para Portugal e ver uma democracia com algumas falhas, e não uma falha com alguma democracia. É inquietante sermos uma democracia com falhas porque, até agora, éramos uma democracia sem falhas. Nós éramos felizes e não sabíamos.
2. Depois, levanta-se outra questão, que é saber se se pode dizer democracia com falhas. Eu estava convencido que a democracia ou é ou não é, no sentido em que também não se pode dizer "ele é ligeiramente pedófilo, ou ele estava mais ou menos morto". Ou está morto ou não está! O facto de sermos uma democracia com falhas põe outro problema mais inquietante: a partir de quando é que uma democracia com falhas passa a ser uma ditadura com qualidades?
3. Outras vantagens: assim que Passos Coelho foi eleito, nós deparámo-nos com um problema interessante: Passos Coelho nunca fez nada na vida a não ser política, JSD, por aí fora. O homem licenciou-se com 37 anos, esteve ocupado a tratar de coisas políticas. No entanto, não tem experiência política nenhuma, o que é difícil para um homem que só fez política na vida. Lá está, ele teve empregos, mas só em empresas administradas pelo Ângelo Correia. O primeiro emprego que teve que não foi arranjado pelo Ângelo Correio, foi este, que nós lhe arranjámos. Passos Coelho acaba por ser uma inspiração para todos os desempregados. É possível, sem grande currículo, com alguma sorte, arranjar um emprego, desde que, lá está, o outro candidato seja... o Sócrates. Para quem tem pouca experiência, governar com a troika é como andar de bicicleta com rodinhas e, portanto, tem esse lado vantajoso.
4. Paradoxalmente, o nosso voto tornou-se mais importante. Antigamente votávamos nas eleições nacionais portuguesas, hoje votamos nas regionais alemãs.
5. E é excelente por questões de respeito. Por causa da senhora Merkel. E digo senhora Merkel com propriedade. Não dizemos o senhor Sarkozy ou o senhor Obama. Nunca. Mas senhora Merkel dizemos. E temos em português aquela expressão, quando nos referimos ao passado: "o tempo da outra senhora". Este é o tempo desta senhora. Saiu uma senhora e entrou outra senhora.
Queria acabar dizendo que há esperança para nós. Porque a política parece ter morrido, mas ainda há réstias de política. Vou dar dois casos:
1. O assassinato político voltou e isso significa que há política. Em 1908 mataram D. Carlos. Em 2011 foi abatido a tiro, também por razões políticas, o pórtico da A22. Há qualquer coisa no início dos séculos que excita o gatilho dos conspiradores. E alguém leva um tiro. Enfim, podiam ter morto o rei, mas entre D. Duarte e o pórtico, os atiradores optaram, e bem a meu ver, pelo que politicamente era mais relevante. E deram uma chumbada na portagem.
2. A segunda razão pela qual devemos ter esperança é este incentivo à emigração constante, que é de facto uma medida política. Geralmente, o programa xenófobo, que é vasto e rico, consubstancia-se na frase "vai para a tua terra", dita aos imigrantes. O nosso Governo tem este programa ligeiramente diferente que é: "sai da tua terra!", dito aos nativos. Fica difícil saber para quem é esta terra afinal. Eu quero sugerir o Brasil como um destino interessante para nós. O Brasil é uma terra de oportunidades e possibilidades de riqueza, como demonstra o caso inspirador do Duarte Lima.
Sábado, 28 de Janeiro de 2012
Por vezes, só apetece..
Fora de opiniões sobre o comportamento
dele, sobre o talento ou não do cineasta, por vezes é isto que é
necessário fazer quem está á nossa volta, e por vezes a vida, ouvir.
Sexta-feira, 27 de Janeiro de 2012
Ordem de São Miguel da Ala - O.S.M.A
Que ainda existem organizações religiosas é uma triste verdade, que ainda existam em portugal aberrações como a O.S.M.A. é caso para me inspirar a fazer, semanalmente, a recolha de pelo menos um website pertencente a uma organização que não faz sentido nenhum, fica aqui a primeira: Ordem de São miguel da ala
Humanidade
Infelizmente não consegui encontrar os autores, mas ainda assim, fica a partilha de algun retratos bem conseguidos
Sepúlveda e a RTP
Luís Spúlveda, conceitoado escritor sul americano , autor de livros como O Gato que Ensinou a Gaivota a Voar , O Velho que Lia Romances de Amor, e Mundo do Fim do Mundo, escreveu recentemente sobre a RTP:
«Un abrazo solidario a mis amigos y compañeros periodistas de RTP. El gobierno portugués atenta contra la dignidad de los trabajadores de RTP, contra la libertad de prensa, contra el derecho de los ciudadanos a estar informados. Con la infame política de recortes, con el pretexto de "recuperar la confianza de los mercados", miserable eufemismo para despedir a todos los periodistas críticos de Portugal. Y que elocuente es que hayan empezado con los periodistas de cultura.
Toda mi solidaridad con los compañeros y compañeras de RTP.»
Quarta-feira, 11 de Janeiro de 2012
Segunda-feira, 2 de Janeiro de 2012
Imagine
No rescaldo da passagem de ano, descubri que alguém decidiu , em New York, pôr Cee-lo Green a fazer uma cover da canção "Imagine" originalmente interpretada por John Lennon. Não sei se por decisão dos produtores ou do cantor, mas o que seria um tributo a John lennon revelou-se um acto de arrogância quando a frase integrante da música "and no religions too" foi alterada para "all religions true". Sem querer comentar sobre as conotoções religiosas da decisão, fica em evidência a arrogância de algumas pessoas. Em baixo uma ligação para um vídeo em que Cee-lo interpreta a sua versão de "imagine" e também a letra da versão original da música.
Imagine there's no heaven
It's easy if you try
No hell below us
Above us only sky
Imagine all the people living for today
Imagine there's no countries
It isn't hard to do
Nothing to kill or die for
And no religion too
Imagine all the people living life in peace
You, you may say
I'm a dreamer, but I'm not the only one
I hope some day you'll join us
And the world will be as one
Imagine no possessions
I wonder if you can
No need for greed or hunger
A brotherhood of man
Imagine all the people sharing all the world
You, you may say
I'm a dreamer, but I'm not the only one
I hope some day you'll join usAnd the world will live as one
Imagine there's no heaven
It's easy if you try
No hell below us
Above us only sky
Imagine all the people living for today
Imagine there's no countries
It isn't hard to do
Nothing to kill or die for
And no religion too
Imagine all the people living life in peace
You, you may say
I'm a dreamer, but I'm not the only one
I hope some day you'll join us
And the world will be as one
Imagine no possessions
I wonder if you can
No need for greed or hunger
A brotherhood of man
Imagine all the people sharing all the world
You, you may say
I'm a dreamer, but I'm not the only one
I hope some day you'll join usAnd the world will live as one
Barragem do Tua
"O relatório da Unesco sobre o projecto de construção da barragem do Tua, no Aventar. Pronto há seis meses, até agora nenhum jornal o tinha publicado (que surpresa) e tanto o ministério do Ambiente como a secretaria de Estado da Cultura se mantêm silenciosos sobre os pormenores do mesmo. A história de uma barragem que vai produzir apenas 0.6% da energia nacional destruindo irreversivelmente a paisagem envolvente a histórica Linha do Tua, classificada como Património Mundial pela Unesco. Para além de incontáveis hectares de terra para a produção de vinho do Porto. Tudo para que uma empresa privada (neste momento, a 100%), a EDP, possa ter um lucro de desasseis mil milhões de euros e os seus gestores recebam os prometidos bónus. Um caso exemplar do modo como funciona a rede de interesses económicos das empresas privadas e da sua relação com os partidos do arco do poder, PSD, PS e CDS. O problema não é haver excesso de Estado, como é evidente; é o Estado funcionar como canal de financiamento de projectos privados duvidosos que prejudicam os contribuintes e enchem os bolsos dos accionistas das empresas que deles beneficiam, assim como os dos gestores, quase sempre antigos governantes ou políticos destes três partidos."
Autor: Sérgio Lavos
O relatório da unesco pode ser lido aqui: http://aventar.eu/2011/12/30/barragem-do-tua-o-relatorio-do-icomos-unesco-que-o-governo-tentou-esconder/
Autor: Sérgio Lavos
O relatório da unesco pode ser lido aqui: http://aventar.eu/2011/12/30/barragem-do-tua-o-relatorio-do-icomos-unesco-que-o-governo-tentou-esconder/
Quinta-feira, 10 de Novembro de 2011
Terça-feira, 18 de Outubro de 2011
Scientists are irreverent
"Richard Hamming compared knowledge to compound interest: The more you know, the more you learn. Hence, progress tends to be exponential.
Some innovations increase our rate of progress slightly. The light bulb allows us to work late at night. Some accelerate progress tremendously. Science is one such innovation.
Alas, there isn’t a universally accepted definition of science. This does not stop us from doing science. Formal definitions are often less important than we think. For example, while most people could not formally define pornography, they can still produce and consume it. When people rent a porno they rarely discover that it is something else entirely. It looks like porno is a robust concept.
I am not convinced that science is so robust. Richard Feynman denounced cargo-cult science. Kevin Kelly reminds us that scientists often behave like politicians: inconvenient truths are buried whereas positive results are exaggerated.
There is clearly no widespread agreement on a formal definition of science. But it seems to me that the most important characteristic of science is that it puts truth ahead of social hierarchies: it does not matter how much anyone likes your theory nor who you are. It does not matter who your opponent is. What matters are the facts themselves. Accordingly, all great scientists are irreverent starting with Galileo Galilei himself.
In this sense, science represented a remarkable weapon… not because it allowed us to understand thermodynamics or the atom, but because it allowed ideas to compete. Science is a free market of ideas. We saw recently that through a mix of government interventions and too-big-to-fail monopolies, financial markets can collapse and destroy wealth. A free market is a fragile ideal.
But we can measure freedom by looking at how irreverent the players are. How many times do scientist oppose the government and large corporations? How many times do scholars attack famous journals? That doctored results get published is not a concern, but you should be worried if you are thinking twice about denouncing them because the authors are famous.
How well are we doing? In Canada, the government is forbidding scientists from communicating their results. Obviously, some bureaucrats believe that freedom is unimportant in science.
Yet you don’t recognize scientists by their laboratory coats, research grants or prestigious publications. You recognize them by their irreverence. Perhaps we should train all new scientists in how to challenge authority."
Source: Daniel Lemire's blog
Sábado, 15 de Outubro de 2011
Sexta-feira, 14 de Outubro de 2011
Occupy Wall Street é o movimento mais importante do mundo hoje
Occupy Wall Street é o movimento mais importante do mundo hoje
OPINIAO | 11 OUTUBRO, 2011 - 00:10 | POR NAOMI KLEIN
Foi uma honra, para mim, ter sido convidada a falar em Occupy Wall Street na 5ª-feira à noite. Dado que os amplificadores estão (infelizmente) proibidos, e o que eu disser terá de ser repetido por centenas de pessoas, para que outros possam ouvir (o chamado “microfone humano”), o que vou dizer na Praça Liberty Plaza terá de ser bem curto. Sabendo disso, distribuo aqui a versão completa, mais longa, sem cortes, da minha fala.
Occupy Wall Street é a coisa mais importante do mundo hoje.
Eu amo-vos.
E eu não digo isso só para que centenas de pessoas gritem de volta “eu também te amo”, apesar de que isso é, obviamente, um bónus do microfone humano. Diga aos outros o que você gostaria que eles lhe dissessem, só que bem mais alto.
Ontem, um dos oradores na manifestação dos trabalhadores disse: “Nós encontramo-nos uns aos outros”. Esse sentimento captura a beleza do que está a ser criado aqui. Um espaço aberto (e uma ideia tão grande que não pode ser contida por espaço nenhum) para que todas as pessoas que querem um mundo melhor se encontrem umas às outras. Sentimos muita gratidão.
Se há uma coisa que sei, é que o 1% adora uma crise. Quando as pessoas estão desesperadas e em pânico, e ninguém parece saber o que fazer: eis aí o momento ideal para nos empurrar goela abaixo a lista de políticas pró-corporações: privatizar a educação e a segurança social, cortar os serviços públicos, livrar-se dos últimos controles sobre o poder corporativo. Com a crise económica, isso está a acontecer em todo o mundo.
Só existe uma coisa que pode bloquear essa táctica e, felizmente, é algo bastante grande: os 99%. Esses 99% estão a tomar as ruas, de Madison a Madrid, para dizer: “Não. Nós não vamos pagar pela vossa crise”.
Este slogan começou na Itália em 2008. Ricocheteou para Grécia, França, Irlanda e finalmente chegou a esta milha quadrada onde a crise começou.
“Porque estão eles a protestar?”, perguntam-se os confusos comentadores da TV. Enquanto isso, o mundo pergunta: “porque vocês demoraram tanto? A gente estava a querer saber quando é que vocês iam aparecer.” E, acima de tudo, o mundo diz: “bem-vindos”.
Muitos já estabeleceram paralelos entre Occupy Wall Street e os chamados protestos anti-globalização que conquistaram a atenção do mundo em Seattle, em 1999. Foi a última vez que um movimento descentralizado, global e juvenil fez mira directa ao poder das corporações. Tenho orgulho de ter feito parte do que chamámos “o movimento dos movimentos”.
Mas também há diferenças importantes. Por exemplo, nós escolhemos as cimeiras como alvos: a Organização Mundial do Comércio, o Fundo Monetário Internacional, o G-8. As cimeiras são transitórias por natureza, só duram uma semana. Isso fazia com que nós fôssemos transitórios também. Aparecíamos, éramos manchete em todo o mundo, depois desaparecíamos. E na histeria hiper-patriótica e nacionalista que se seguiu aos ataques de 11 de setembro, foi fácil varrer-nos completamente, pelo menos na América do Norte.
O Occupy Wall Street, por outro lado, escolheu um alvo fixo. E vocês não estabeleceram nenhuma data final para a sua presença aqui. Isso é sábio. Só quando permanecemos podemos assentar raízes. Isso é fundamental. É um facto da era da informação que muitos movimentos surgem como lindas flores e morrem rapidamente. E isso ocorre porque eles não têm raízes. Não têm planos de longo prazo para se sustentar. Quando vem a tempestade, eles são alagados.
Ser horizontal e democrático é maravilhoso. Mas esses princípios são compatíveis com o trabalho duro de construir e instituições que sejam suficientemente sólidas para aguentar as tempestades que virão. Tenho muita fé que isso acontecerá.
Há outra coisa que este movimento está a fazer certo. Vocês comprometeram-se com a não-violência. Vocês recusaram-se a entregar aos média as imagens de montras partidas e brigas de rua que eles, os média, tão desesperadamente desejam. E essa tremenda disciplina significou, uma e outra vez, que a história foi a brutalidade desgraçada e gratuita da polícia, da qual vimos mais exemplos na noite passada. Enquanto isso, o apoio a este movimento só cresce. Mais sabedoria.
Mas a grande diferença que uma década faz é que, em 1999, encarávamos o capitalismo no cume de um boom económico alucinado. O desemprego era baixo, as acções subiam. Os média estavam bêbados com o dinheiro fácil. Naquela época, tudo era empreendimento, não encerramento.
Nós apontávamos que a desregulamentação por trás da loucura cobraria um preço. Que ela danificava os padrões laborais. Que ela danificava os padrões ambientais. Que as corporações eram mais fortes que os governos e que isso danificava as nossas democracias. Mas, para ser honesta com vocês, enquanto os bons tempos estavam a rolar, a luta contra um sistema económico baseado na ganância era algo difícil de se vender, pelo menos nos países ricos.
Dez anos depois, parece que já não há países ricos. Só há um bando de gente rica. Gente que ficou rica saqueando a riqueza pública e esgotando os recursos naturais ao redor do mundo.
A questão é que hoje todos são capazes de ver que o sistema é profundamente injusto e está cada vez mais fora de controle. A cobiça sem limites detona a economia global. E está a detonar o mundo natural também. Estamos a sobre-pescar nos nossos oceanos, a poluir as nossas águas com fracturas hidráulicas e perfuração profunda, adoptando as formas mais sujas de energia do planeta, como as areias betuminosas de Alberta. A atmosfera não dá conta de absorver a quantidade de carbono que lançamos nela, o que cria um aquecimento perigoso. A nova normalidade são os desastres em série: económicos e ecológicos.
Estes são os factos da realidade. Eles são tão nítidos, tão óbvios, que é muito mais fácil conectar-se com o público agora do que era em 1999, e daí construir o movimento rapidamente.
Sabemos, ou pelo menos pressentimos, que o mundo está de cabeça para baixo: nós comportamo-nos como se o finito – os combustíveis fósseis e o espaço atmosférico que absorve as suas emissões – não tivesse fim. E comportamo-nos como se existissem limites inamovíveis e estritos para o que é, na realidade, abundante – os recursos financeiros para construir o tipo de sociedade de que precisamos.
A tarefa do nosso tempo é dar a volta nesse parafuso: apresentar o desafio à falsa tese da escassez. Insistir que temos como construir uma sociedade decente, inclusiva – e ao mesmo tempo respeitar os limites do que a Terra consegue aguentar.
A mudança climática significa que temos um prazo para fazer isso. Desta vez o nosso movimento não pode distrair-se, dividir-se, queimar-se ou ser levado pelos acontecimentos. Desta vez temos que dar certo. E não estou a falar de regular os bancos e taxar os ricos, embora isso seja importante.
Estou a falar de mudar os valores que governam a nossa sociedade. Essa mudança é difícil de encaixar numa única reivindicação digerível para os média, e é difícil descobrir como realizá-la. Mas ela não é menos urgente por ser difícil.
É isso o que vejo a acontecer nesta praça. Na forma em que vocês se alimentam uns aos outros, se aquecem uns aos outros, compartilham informação livremente e fornecem assistência médica, aulas de meditação e treino na militância. O meu cartaz favorito aqui é o que diz “eu importo-me contigo”. Numa cultura que treina as pessoas para que evitem o olhar das outras, para dizer “deixe que morram”, esse cartaz é uma afirmação profundamente radical.
Algumas ideias finais. Nesta grande luta, eis aqui algumas coisas que não importam:
As nossas roupas.
Se apertamos as mãos ou fazemos sinais de paz.
Se podemos encaixar os nossos sonhos de um mundo melhor numa manchete dos média.
E eis aqui algumas coisas que, sim, importam:
A nossa coragem.
A nossa bússola moral.
Como nos tratamos uns aos outros.
Estamos a encarar uma luta contra as forças económicas e políticas mais poderosas do planeta. Isso é assustador. E na medida em que este movimento crescer, de força em força, ficará mais assustador. Estejam sempre conscientes de que haverá a tentação de adoptar alvos menores – como, digamos, a pessoa sentada ao vosso lado nesta reunião. Afinal de contas, essa será uma batalha mais fácil de ser vencida.
Não cedam a essa tentação. Não estou a dizer que vocês não devam apontar quando o outro fizer algo errado. Mas, desta vez, vamos tratar-nos uns aos outros como pessoas que planeiam trabalhar lado a lado durante muitos anos. Porque a tarefa que se apresenta para nós exige nada menos que isso.
Tratemos este momento lindo como a coisa mais importante do mundo. Porque ela é. De verdade, ela é. Mesmo.
Discurso originalmente publicado no The Nation, tradução para português do Brasil, de Idelber Alvelar, da Revista Fórum, disponível também em Carta Maior, revisto para português de Portugal por Carlos Santos.
Fonte: esquerda.net
15 de Outubro 2011 E o Seu Fracasso
15 de Outubro 2011 – A Democracia sai à rua!
PROTESTO APARTIDÁRIO, LAICO E PACÍFICO
− Pela Democracia participativa.
− Pela transparência nas decisões políticas.
− Pelo fim da precariedade de vida.
Somos “gerações à rasca”, pessoas que trabalham, precárias, desempregadas ou em vias de despedimento, estudantes, migrantes e reformadas, insatisfeitas com as nossas condições de vida.
Hoje vimos para a rua, na Europa e no Mundo, de forma não violenta, expressar a nossa indignação e protesto face ao actual modelo de governação política, económica e social. Um modelo que não nos serve, que nos oprime e não nos representa.
A actual governação assenta numa falsa democracia em que as decisões estão restritas às salas fechadas dos parlamentos, gabinetes ministeriais e instâncias internacionais. Um sistema sem qualquer tipo de controlo cidadão, refém de um modelo económico-financeiro, sem preocupações sociais ou ambientais e que fomenta as desigualdades, a pobreza e a perda de direitos à escala global. Democracia não é isto!
Queremos uma Democracia participativa, onde as pessoas possam intervir activa e efectivamente nas decisões. Uma Democracia em que o exercício dos cargos públicos seja baseado na integridade e defesa do interesse e bem-estar comuns.
Queremos uma Democracia onde os mais ricos não sejam protegidos por regimes de excepção.
Queremos um sistema fiscal progressivo e transparente, onde a riqueza seja justamente distribuída e a segurança social não seja descapitalizada; onde todas as pessoas contribuam de forma justa e imparcial e os direitos e deveres dos cidadãos estejam assegurados.
Queremos uma Democracia onde quem comete abuso de poder e crimes económicos e financeiros seja efectivamente responsabilizado por um sistema judicial independente, menos burocrático e sem dualidade de critérios. Uma Democracia onde políticas estruturantes não sejam adoptadas sem esclarecimento e participação activa das pessoas. Não tomamos a crise como inevitável. Exigimos saber de que forma chegámos a esta recessão, a quem devemos o quê e sob que condições.
As pessoas não são descartáveis, nem podem estar dependentes da especulação de mercados bolsistas e de interesses financeiros que as reduzem à condição de mercadorias. O princípio constitucional conquistado a 25 de Abril de 1974 e consagrado em todo o mundo democrático de
que a economia se deve subordinar aos interesses gerais da sociedade é totalmente pervertido pela imposição de medidas, como as do programa da troika, que conduzem à perda de direitos laborais, ao desmantelamento da saúde, do ensino público e da cultura com argumentos economicistas.
Os recursos naturais como a água, bem como os sectores estratégicos, são bens públicos não privatizáveis. Uma Democracia abandona o seu futuro quando o trabalho, educação, saúde, habitação, cultura e bem-estar são tidos apenas como regalias de alguns ou privatizados sem que daí advenha qualquer benefício para as pessoas.
A qualidade de uma Democracia mede-se pela forma como trata as pessoas que a integram.
Isto não tem que ser assim! Em Portugal e no mundo, dia 15 de Outubro dizemos basta!
A Democracia sai à rua. E nós saímos com ela.
− Pela Democracia participativa.
− Pela transparência nas decisões políticas.
− Pelo fim da precariedade de vida.
Somos “gerações à rasca”, pessoas que trabalham, precárias, desempregadas ou em vias de despedimento, estudantes, migrantes e reformadas, insatisfeitas com as nossas condições de vida.
Hoje vimos para a rua, na Europa e no Mundo, de forma não violenta, expressar a nossa indignação e protesto face ao actual modelo de governação política, económica e social. Um modelo que não nos serve, que nos oprime e não nos representa.
A actual governação assenta numa falsa democracia em que as decisões estão restritas às salas fechadas dos parlamentos, gabinetes ministeriais e instâncias internacionais. Um sistema sem qualquer tipo de controlo cidadão, refém de um modelo económico-financeiro, sem preocupações sociais ou ambientais e que fomenta as desigualdades, a pobreza e a perda de direitos à escala global. Democracia não é isto!
Queremos uma Democracia participativa, onde as pessoas possam intervir activa e efectivamente nas decisões. Uma Democracia em que o exercício dos cargos públicos seja baseado na integridade e defesa do interesse e bem-estar comuns.
Queremos uma Democracia onde os mais ricos não sejam protegidos por regimes de excepção.
Queremos um sistema fiscal progressivo e transparente, onde a riqueza seja justamente distribuída e a segurança social não seja descapitalizada; onde todas as pessoas contribuam de forma justa e imparcial e os direitos e deveres dos cidadãos estejam assegurados.
Queremos uma Democracia onde quem comete abuso de poder e crimes económicos e financeiros seja efectivamente responsabilizado por um sistema judicial independente, menos burocrático e sem dualidade de critérios. Uma Democracia onde políticas estruturantes não sejam adoptadas sem esclarecimento e participação activa das pessoas. Não tomamos a crise como inevitável. Exigimos saber de que forma chegámos a esta recessão, a quem devemos o quê e sob que condições.
As pessoas não são descartáveis, nem podem estar dependentes da especulação de mercados bolsistas e de interesses financeiros que as reduzem à condição de mercadorias. O princípio constitucional conquistado a 25 de Abril de 1974 e consagrado em todo o mundo democrático de
que a economia se deve subordinar aos interesses gerais da sociedade é totalmente pervertido pela imposição de medidas, como as do programa da troika, que conduzem à perda de direitos laborais, ao desmantelamento da saúde, do ensino público e da cultura com argumentos economicistas.
Os recursos naturais como a água, bem como os sectores estratégicos, são bens públicos não privatizáveis. Uma Democracia abandona o seu futuro quando o trabalho, educação, saúde, habitação, cultura e bem-estar são tidos apenas como regalias de alguns ou privatizados sem que daí advenha qualquer benefício para as pessoas.
A qualidade de uma Democracia mede-se pela forma como trata as pessoas que a integram.
Isto não tem que ser assim! Em Portugal e no mundo, dia 15 de Outubro dizemos basta!
A Democracia sai à rua. E nós saímos com ela.
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Daniel Swift: Pois bem, não irá resultar. Mesmo que um movimento a nivel mundial. irá falhar. Porque a esquerda não tem políticas com alternativas viáveis a este modelo neo-liberalista que não nos levará a lado nenhum. Porque as manifestações pacificas são o que eles querem, porque não há quem possa liderar. Talvez seja altura de reclamar a independência da república, criar um real partido e pegar nas armas. Mas quem o fará? Haverá quem o possa fazer? Não.
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